quinta-feira, 4 de junho de 2009

Inocência roubada

student Pictures, Images and Photos

Parou em frente à porta e respirou fundo… Odiava estes momentos de incerteza. Rodou a maçaneta e entrou no quarto. Devagar, hesitante.
Era elegante, quem o havia decorado tinha um gosto apurado. Sentiu-se deslocada, sem saber o que fazer. Endireitou a sua saia axadrezada. Nervosa, olhou-se no enorme espelho que cobria a parede quase por inteiro! E viu o seu reflexo, a gravata do seu uniforme estava torta, o que resolveu com rapidez.
Ao ver-se, ganhou confiança. Sabia que era bonita. Desde pequena… Ainda se lembrava de como os seus primos a olhavam e lutavam pelos favores dos seus grandes olhos verdes. O cabelo, comprido e loiro, encaracolado davam-lhe um ar angelical. Cresceu e ganhou formas, mas sempre se sentiu um pouco envergonhada quando se sentia observada pelo sexo oposto…
-Olá…
Sobressaltou-se! Havia-se esquecido de que não estava sozinha. Do outro lado do quarto, estava ele. Era muito mais velho do que ela, mas isso pouco importa. Olhava-a com um sorriso afectuoso. Sentiu que estava a corar e baixou os olhos, fitando o chão.
-Desculpa, não te tinha visto.
-Não faz mal… Já estava à tua espera há um tempo, confesso que estava a ficar assustado. Pensei que não viesses…
Ele dirigiu-se a ela. Não sabia como reagir ao fitar aqueles olhos castanhos, abriu a boca para falar mas nada saiu. Ele passou a mão pela sua cara. Ela olhou-o, pouco segura. Aquele olhar parecia capaz de a trespassar. Sorriu.
-Eu… Desculpa… Atrasei-me… Mas não podia deixar de vir. Eu…
Ele passou a mão pela sua cintura, puxou-a para si e beijou-a. Ela resistiu, mas por pouco tempo. Depressa se deixou envolver pelo desejo e carinho que emanavam dele.
Sentiu que ele a levava, numa dança velada de carícias e palavras doces, na direcção da enorme cama no centro do quarto. Estremeceu…
-Não acontece nada, se não o quiseres. Eu… Eu percebo se não quiseres.
Ela sorriu ao ver a insegurança nos olhos dele. Devagar, afastou-se, subiu devagar para cima da cama. Começou a despir-se. Ao ver que ele tremia de desejo, por antecipação… Sabia que não podia voltar atrás. A sua decisão estava tomada.
Depressa ele se juntou a ela, ansioso! Durante a noite os acontecimentos foram fluidos, naturais. De manha apenas restavam imagens soltas do tempo que ali tinha passado… A língua dele limpando o champanhe derramado no seu corpo, gemidos de dor e prazer, palavras de amor e preocupação…
A sua imagem mais vivida era a cara dele, ao entrar dentro dela, arrebatado pelo seu olhar doce e inocente…
-Tens a certeza?
-Quero-te…

Ela abriu os olhos e olhou em volta. Estava sozinha… Já estava à espera que isso acontecesse… Riu-se sozinha e espreguiçou-se, preguiçosa.
Levantou-se e dirigiu-se para a casa de banho. Enquanto molhava o seu corpo, limpava os vestígios da presença dele. Sentiu-se mais limpa.
Antes de sair, agarrou no dinheiro que ele lhe havia deixado na mesa-de-cabeceira. Enquanto saia do hotel, não pode evitar pensar que tinha tido sorte por ter sido a escolhida. Na rua onde trabalhava, havia muitas como ela.
Era irónico… Um dia menina de colégio num hotel de cinco estrelas, noutro dia dominatrix num motel sem fechaduras nos arredores da cidade…

Era assim a vida de prostituta… Era assim a sua vida…

3 comentários:

Äмbзr Gïrℓ ⅞ disse...

diferente este texto. os dois lado de uma mesma moeda.

Blog Suicide Virgin

♠J. کchmid♠ disse...

Gostei bastante do conto, nossa ela leva uma vida dupla hein?? bastante bemn bolado adorei o blog, visite o meu ok?Se tiver banner podemos fazer parceria, ja estou seguindo seu blog
Blog Man in the Box

Ana Campos disse...

Muito Bom.

Beijinhos

E ainda....
A abstenção GANHOU,. LOL