quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Amor Negro/Dark Love

Dark Yuri



É estranho pensar em ti. Sentir-te perto de mim… Sinto-me como um recém-nascido rodeado de sensações estranhas, forçado a viver um espaço novo, confuso, hostil…
É isso que tu és para mim: um mundo novo para o qual fui arrastada sem me aperceber.
Arrancaste-me do ventre materno… Bem, não que eu tenha muitas saudades de tal sítio. Não me lembro de tal período, mas conhecendo a minha mãe como conheço desconfio que foi uma experiência bastante traumatizante que, felizmente, o meu cérebro ainda era novo demais para assimilar.
Mas deixemo-nos de comparações idiotas e ironias baratas! Escrevo para falar de ti!
Irritas-me e atormentas a minha mente e no entanto quero-te e tenho necessidade de ti, como uma obsessão doentia. Fazes-me mal e no entanto isso é o que mais amo em ti… Adoro o nosso jogo masoquista de ódios e feridas abertas.
Tenho necessidade de ti. Para mim és como os cortes que faço na minha pele: trazes-me uma dor envolvida num alívio tão profundo. E no entanto mostras-me a todo o tempo como sou fraca e estúpida.
Mas tu és um deles… Um dos outros que habitam nos locais iluminados e que nunca conhecerão o doce sabor da escuridão em que vivo. Tu, tal como eles, também não me vês. Apenas sentes a presença do meu reflexo socialmente aceitável.
Nunca saberás como sou suja, demente, estranha. Tão diferente de ti…
Não passas de um rapaz inocente que tropeçou em mim por acidente no caminho para a morte, que é a vida.
Somos superficiais e falsos. Melhores amigos para quem se dignar a olhar na nossa direcção. No entanto, rodeados pelas fragrâncias nocturnas, protegidos pelas quatro paredes do meu quarto, transformamo-nos em algo lindo!!
Perdemos a noção de quem é quem e tu és eu e eu sou tu, num misto de prazer, dor e frustração. Eu sou tua mas tu, tu nunca és verdadeiramente meu… És o meu carcereiro e o meu violador, que me possui sem escrúpulos. Fazes de mim o que queres sem qualquer manifestação da minha vontade. Oh! O prazer que me dás…
E no entanto acabas por te fartar e abandonas-me, deixando-me encolhida a um canto, nas sombras. Reduzes-me a nada. Sou lixo e nada mais…
Para mim és como os cortes que faço na minha pele e é por tua causa que me corto! Nunca estarei à tua altura. Nunca serei boa o suficiente para ti.
Não me queres a teu lado. Não passo de uma sombra na tua vida que te consola nos momentos de solidão… Nunca te dignarás a conhecer-me, por isso nunca conhecerás este meu lado sombrio nem saberás como verdadeiramente sou. Por isso aqui estamos… Tão perto e tão longe…

Oh! Meu amor… Como te odeio…



Translation: Dark Love

It’s strange to think about you, to feel you near me… I feel like a new-borne, surrounded by strange sensations, forced to live in a new, confuse, hostile place...
That’s what you are to me: a new world to which I was dragged in without realizing it.
You pulled me out of my mother’s womb… Well, not that I miss that place that much. I don’t remember it, but knowing my mother like I do, I suspect that it was a rather disturbing experience that, fortunately, my brain was too young to assimilate. But let’s drop these idiotic ironies. I’m writing about you!
You irritate me and torment my mind and yet I want you and I need you, like a sick obsession. You wound me and that’s what I love the most about you.
I love our little masochist game of hatred, fights, screams and opens wounds.
I need you… To me you’re like the cuts that I make in my skin: you bring me pain involved in such a deep relief. And yet you’re always letting me know how weak and stupid I am.
But you’re one of them… One of those who live in an illuminated place where you’ll never know the sweet taste of darkness that I abide in. You don’t see me just like they don’t. You can only feel my socially acceptable reflex.
You will never know how demented, filthy, strange I am. I’m so different from you… You’re nothing but an innocent boy that tripped over me in life on his path towards death.
We’re shallow and fake. Best friends for those who look our way. But surrounded by the night, protected by the four walls of my room, we transform into something beautiful.
We loose track of who is who, and you are me and I am you in mixed feelings of pleasure, pain and frustration. I am yours but you’re never truly mine… You’re my incarcerator, my rapist. You possess me without any scruples. You make of me what you want without any manifestation of my will. Oh!! The pleasure you give me…
But you end up getting tired of me and you simply abandoned me, leaving me in a corner, in the shadows, making me wish that I was dead. You reduce me to nothing. Like I’m just a piece of trash and nothing more…
To me, you’re like the cuts I make in my skin, and you’re the reason of their existence. I will never be good enough for you…
You don’t want me at your side. I’m nothing but a shadow in your life, whose purpose is simply to comfort you when you’re feeling lonely… You will never bother to know me, so you will never know this dark side of me and you will never know how I really am.
They would never accept me in your world. So here we are… So close and yet so distant from each other…

Oh!! My love… If you only knew how much I hate you…

5 comentários:

a.p. disse...

Olá madrinha!!!
Desconhecia esta veia artistica mas adorei... :) tens muito jeito
um beijinho grande d afilhada Ana

Persona naturale disse...

Só tenho a dizer que o blog está espectacular e que adoro ler textos assim deste género!

Parabéns e vê lá se passas no meu lol

Tiago disse...

"In the absence of light darkness prevails"... Um dos meus favoritos!

Tiago

Moll Fry disse...

oi... adorei seu blog por isso estou te seguindo ^^ ... estou começando o meu blog agora... então toda ajuda é bem vinda... beijinhus :*

Anónimo disse...

bom comeco